Comissões Locais Municipais e ATI dialogam sobre as ações da reparação na área de assistência social 

As Comissões também discutiram e validaram propostas para o fortalecimento do controle social sobre a aplicação dos recursos da reparação nos municípios atingidos

Entre os dias 18 e 25 de agosto, ocorreu mais um ciclo de reuniões das Comissões Locais Municipais de Pessoas Atingidas em cada um dos 13 municípios que compõem os Territórios de Rio Casca e Adjacências (Território 01) e do Parque Estadual do Rio Doce e sua Zona de Amortecimento (Território 02). Nos encontros, a ATI prestada pela Cáritas Diocesana de Itabira dialogou com as Comissões sobre as ações da reparação voltadas para a área da assistência social, de responsabilidade do governo federal e do estado de Minas Gerais. 

As Comissões também discutiram e validaram o encaminhamento de propostas para o fortalecimento do controle social sobre a aplicação dos recursos previstos pelo Acordo de Repactuação nos municípios atingidos. 

Nos encontros, a equipe da ATI apresentou as ações de reparação na área da assistência social: o Programa de Fortalecimento do Sistema Único de Assistência Social (ProFort SUAS), de responsabilidade do governo federal, e o Projeto Estadual de Fortalecimento do Sistema Único de Assistência Social (Avança SUAS), de responsabilidade do governo de Minas Gerais. 

Foto: Marcelo Rolim/Cáritas Diocesana de Itabira

“As duas iniciativas fazem parte das medidas de reparação do Acordo de Repactuação, mas possuem naturezas e formas de organização diferentes. O ProFort-SUAS está previsto no Anexo 7 do Acordo de Repactuação, enquanto o Avança SUAS no Anexo 12, Linha 2. Apesar dessas diferenças, os dois destinam recursos para fortalecer a Assistência Social e melhorar a capacidade dos municípios de atender a população. Por isso, é importante que as pessoas atingidas conheçam cada iniciativa”, explicou Cintya Reis, da equipe de Saúde Coletiva e Proteção Social da ATI Cáritas Diocesana de Itabira. 


ProFort SUAS e Avança SUAS: entenda cada um deles

O ProFort SUAS, foi lançado em 2025 pelo governo federal, tendo como objetivo o fortalecimento das políticas públicas de assistência social nos 49 municípios atingidos, como forma de reparar os danos causados pelo rompimento da barragem de Fundão. Ao todo, o programa destinará 640 milhões de reais, por meio de parcelas anuais, durante 20 anos. 

Já o projeto Avança SUAS, lançado neste ano pelo governo de Minas Gerais, tem como objetivos qualificar o atendimento socioassistencial, ampliar a cobertura e aprimorar a estrutura dos serviços e reduzir as vulnerabilidades geradas em decorrência do rompimento. Estão previstos quatro anos para o ciclo de execução e monitoramento do Avança SUAS, em 38 municípios mineiros atingidos, com investimentos realizados da seguinte forma: 

  • Eixo 1 – 281 milhões de reais, para investimentos em obras, equipamentos e equipe;
  • Eixo 2 – 54 milhões de reais, a serem investidos na capacitação e apoio técnico. 

A equipe da ATI apresentou para as Comissões o detalhamento do Plano de Melhorias do Avança SUAS, que foi definido, de forma específica, para cada município.

Foto: Marcelo Rolim/Cáritas Diocesana de Itabira

As prefeituras são responsáveis por planejar e executar as ações, utilizando os recursos conforme as regras de cada iniciativa e com as necessidades identificadas no município. No PROFORT-SUAS, são elaborados o Plano de Aplicação e os Planos de Ação Simplificados. Já para o Avança SUAS, são feitos os Planos de Melhorias.  Assim, cabe à gestão municipal transformar os recursos em ações concretas. Os Conselhos Municipais de Assistência Social também têm a responsabilidade de aprovar, acompanhar e monitorar como as ações estão sendo executadas”, destacou Cintya. 

“Achei muito importante a gente saber que vai ocorrer esse fortalecimento para a assistência social. Isso vai ser muito importante, porque tem muitas pessoas que precisam desse apoio de estar indo para o CRAS para ter um acolhimento. A proposta está boa e a gente aguarda que aconteça mesmo, porque vai ser muito bom para o município”, disse Simone Nunes, da Comissão Local Municipal de São José do Goiabal. 

“Isso é muito gratificante, porque a gente vai ficar a par do que eles vão fazer de melhoria pra gente aqui na comunidade. Estão vendo que os recursos estão chegando. Dessa vez, acho que o povo vai acompanhar direitinho”, disse Paulo César Silva, da Comissão Local Municipal de Raul Soares”  

Comissões encaminham propostas para o melhorar o  acompanhamento dos recursos da reparação nos municípios 

Uma das principais preocupações levantadas pelas pessoas atingidas nos diversos espaços de participação tem sido a dificuldade para acompanhar a aplicação dos recursos da reparação nos municípios. Neste ciclo de reuniões, as Comissões Locais Municipais discutiram e validaram propostas para fortalecer o controle social, a partir do diálogo com as gestões municipais. 

A ATI tem apoiado as pessoas atingidas para que tenham acesso às informações e compreendam como os recursos da reparação estão sendo utilizados. No início deste ano, realizamos uma formação sobre Controle Social com as Comissões, para fortalecer a participação das pessoas atingidas nos Conselhos Municipais e no acompanhamento das políticas públicas”, lembrou Cintya. 

Foto: Marcelo Rolim/Cáritas Diocesana de Itabira

Entre as iniciativas encaminhadas pelas Comissões durante o ciclo, está o envio de ofícios, com apoio da ATI, para as prefeituras municipais de cada um dos 13 municípios assessorados, solicitando a criação de uma Instância Municipal de Participação Social. “A gente tendo participação consegue ter mais acesso. Quando teve o rompimento da barragem, se logo em seguida tivesse vindo a ATI, talvez a gente não tivesse perdido tanta coisa. Agora, se a gente tiver acesso também às reuniões [do Conselho Municipal de Assistência Social], a gente vai ter mais acesso às verbas que vão entrando para o município”, disse Maria Aparecida de Laia Nascimento, da Comissão Local Municipal de Bom Jesus do Galho. 

“Para acompanhar, a gente precisa participar dos conselhos e ficar de prontidão com as informações, com o dinheiro [recursos da reparação] que está vindo para o município”, disse Rosimeire Carvalho Nunes, da Comissão Local Municipal de Dionísio.    

Foto: Marcelo Rolim/Cáritas Diocesana de Itabira

Neste ciclo de reuniões, as Comissões Locais Municipais também foram atualizadas sobre o que foi discutido na 4ª reunião ordinária da IMPS e na 6ª reunião ordinária do CFPS. A ATI Cáritas Diocesana de Itabira seguirá apoiando as Comissões no diálogo nos municípios para o fortalecimento da participação popular no processo de reparação. 

Quer saber mais? Clique aqui e saiba mais sobre as ações de Fortalecimento do Sistema Único de Assistência Social, previsto no Anexo 7, e as iniciativas estaduais previstas no Anexo 12 do Acordo de Repactuação. 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Rolar para cima